DNA. Três letras e uma sigla cada dia mais
popular e bastante conhecida do público em geral. De programas de TV (teste de
paternidade em programas de auditório) às salas de aula, todo mundo já ouviu
falar.
Mas será que sabemos exatamente o que é o DNA??
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| Molécula de DNA. Fonte: Exame - Abril |
A sigla quer dizer ácido desoxirribonucleico (em português o correto seria ADN, mas
popularmente utilizamos a sigla em inglês). Mas isso não diz muita coisa, não é
verdade?
O DNA em si nada mais é do que uma macromolécula orgânica
e polimérica que armazena informação hereditária. Em outras palavras, um
composto químico bem longo formado por monômeros, que são compostos químicos menores,
encadeados. É justamente a ordem dos monômeros que define a informação que a
molécula carrega. Esses monômeros, ou pequenos blocos de construção do DNA,
chamados coletivamente de nucleotídeos ou bases nitrogenadas, são conhecidos
por suas siglas A (Adenina), T (Timina), C (Citosina) e G (Guanina).
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| Molécula de DNA e formação do cromossomo. Fonte: http://freepages.genealogy.rootsweb.ancestry.com/ |
Quimicamente, o DNA é uma cadeia de fosfatos e açúcares
intercalados (ligado a bases nitrogenadas). Isso mesmo, a informação genética que você carrega dos seus pais nada
mais é do que açúcares intercalados com fosfatos.
Mas o que faz dessa molécula algo tão importante?
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| Estrutura química do DNA. Fonte: http://www2.le.ac.uk |
Primeiro temos que ter uma noção de escala. Estamos
falando de moléculas realmente longas. Esses 4 monômeros se intercalam formando
longas fitas, que em humanos formam cromossomos de até 220 milhões desses monômeros.
O genoma humano completo, com todos os cromossomos, possui cerca de 3 BILHÕES
de monômeros. Dá para imaginar então a quantidade de informação que essas bases
encadeadas podem carregar? Para fins comparativos, seu computador com toda sua
complexidade funciona com informações binarias, apenas zeros (0) e uns (1)
encadeados. No DNA temos informação quaternárias (A, T, C, G). Por isso,
atualmente, existem experimentos com objetivo de armazenar informação digital
em moléculas de DNA.
Chamaremos a partir daqui cada monômero (nucleotídeo) de
“pares de bases” (bp) pois a estrutura tridimensional do DNA é sempre composto
por duas fitas complementares, interligados por pontes de nitrogênio. Cada base
se liga a uma outra base na fita complementar, sempre da seguinte forma: A se
liga apenas a T (e vice-versa) e C se liga sempre a G (e vice-versa). Portanto,
quando você se refere a uma base nitrogenada numa fita de DNA, você automaticamente
sabe a base da fita complementar, que formam um par.
Ok. DNA, polímero, açúcar, fosfato, bilhões de pares
de bases. Mas como isso tudo vira informação dentro das nossas células? Ou
melhor, como nossas células interpretam isso tudo?
Nossa célula é uma máquina orgânica, muito bem
equipada. Ela é capaz de obter do meio externo uma série de monômeros de
natureza química diversa e transformar em macromoléculas estruturais, que
formam a célula e a maquinaria em si, além de tecidos e matriz extracelular, além
de enzimas, que regulam todo o funcionamento do organismo, hormônios, etc. A
maior parte dessas moléculas são na verdade, proteínas. E proteínas são, adivinhem?
Polímeros, assim como o DNA. Porém, o “alfabeto” desses polímeros é ainda mais
diverso do que as quatro “letrinhas” do DNA, sendo composto por até 20 letras
(os monômeros aqui são aminoácidos). Alguns exemplos de proteínas importantes:
melanina (pigmento da pele, cabelo e olhos), peptidase (enzima digestiva que
faz com que a gente consiga digerir alimentos como carne, por exemplo), anticorpos
(moléculas do sistema imune que nos defendem de doenças).
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| Moléculas de proteína e seus monômeros (aminoácidos). Fonte:http://www.areaciencias.com/quimica/proteinas.html |
E o que o DNA tem a ver com isso? Bom, a ordem das
bases nitrogenadas é o que em última instancia vai determinar a ordem dos aminoácidos
nas proteínas. Ou seja, o DNA é manual de instrução que a célula usa para
produzir proteínas que vão exercer funções diversas no organismo, sejam
estruturais ou metabólicas. É exatamente essa relação que chamamos de código genético. A grosso modo, cada 3 pares de base no DNA, irão codificar um aminoácido especifico. No meio desse processo ainda temos o RNA, que atua como mensageiro do código genético e transportador dos aminoácidos a serem incorporados na proteína em formação. Essa trinca de bases nós chamamos de códons. Por exemplo: o códon formado pelas bases TCT irá codificar na proteína um aminoácido chamado serina.
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| Tabela do código genético mostrando os códons que codificam cada aminoácido. Fonte: http://protein.gsc.riken.go.jp/ |
Pequenos defeitos no DNA, ou mutações, em uma
única letrinha, podem levar a produção de proteínas defeituosas, e consequentemente
a doenças, que podem ser extremamente graves.
Dito isso, passamos a entender toda a importância das ciências
genéticas e da genômica, sobre a qual venho escrevendo no último mês.
No próximo artigo falaremos sobre como é possível “ler”
o DNA e a partir dessa leitura, inferir informações relevantes.
Spoiler: Não é possível usar um microscópio para identificar
as bases. Elas são muito pequenas (mas podemos ver os cromossomos e longas
fitas de DNA, entretanto sem conseguir identificar os monômeros que os compõem).
Precisamos ser muito mais inventivos para conseguir tal façanha.
Até a próxima.
RC









































