WAT? Biooque? Bioinformática!
Nesse segundo post vou
falar da minha área de atuação, porque (sim) muita gente não faz a menor ideia do que
se trata (Spoiler: bioinformática
não é criar software antivírus).
Não, eu não trabalho no AVAST!
De uns tempos para cá,
parte da mídia tem “acordado” para essa obscura área e até mesmo o “Estadão”
publicou uma matéria a respeito, chamando-a de profissão do futuro:
O Blog Universo Racionalista
também publicou a respeito: http://www.universoracionalista.org/bioinformatica-filha-prodiga/
O problema é que esse
futuro já chegou e muita gente, inclusive muitos cientistas, ainda não
entendeu essa nova realidade. Já passamos da era da genômica e estamos na era
pós-genômica (falarei disso em outros posts).
Encontrar uma
definição clássica para o termo bioinformática já é o primeiro desafio. Para
tentar simplificar vamos considerar que bioinformática é a ciência onde
ferramentas computacionais são utilizadas (e desenvolvidas) para solucionar
problemas biológicos.
Sopa de letrinhas ?
Como exemplos desses
problemas, podemos citar: análises de sequencias de DNA, RNA e proteína,
estruturas tridimensionais de macromoléculas, interações celulares em
determinado tecido ou ambiente, vias e redes metabólicas, e por aí em diante.
São problemas bastante complexos e sem a ajuda de computação seriamos incapazes
de resolver em tempo hábil.
Em geral, a
bioinformática lida com resultados de experimentos que são transformados em
dados digitais. Um exemplo são os sequenciadores de DNA, aparelhos que
descobrem a sequência em que bases nitrogenadas (lembram do A, C, G e T?) estão
encadeadas para formar os genes e genomas.
Esses aparelhos estão cada vez mais baratos, menores e mais rápidos, gerando um grande acumulo de dados a serem analisados e interpretados (por cientistas treinados).
Sequenciador de DNA NanoPore minION:
pouco maior que um pendrive
Um dos grandes
desafios dessa área é justamente a escassez de recursos humanos. A raiz desse
problema está na natureza inter e multi-disciplinar desse campo cientifico. Ao
conciliar ciências exatas (matemática, estatística, engenharia, ciência da
computação, física) com áreas biológicas (Biologia, Biomedicina, Farmácia,
Medicina, Microbiologia, etc) estamos tentando basicamente misturar água e
óleo. Simplesmente porque Biologia não é exata, não obedece a lógica binaria da
computação e, portanto, é difícil para pessoas de uma área entenderem a outra e
vice-versa.
Existem poucos cursos de graduação e de pós-graduação e todos eles
enfrentam enormes desafios na escolha de disciplinas a serem ministradas e do
melhor modelo a ser aplicado no ensino.
Cito aqui a pós-graduação da UFMG (http://www.pgbioinfo.icb.ufmg.br/), Fiocruz (http://pgbcs.ioc.fiocruz.br/) e da UFPR (http://www.bioinfo.ufpr.br/).
Mas afinal, o que é necessário aprender para se tornar um bioinformata? Claro que isso vai depender da sub-área que você pretende atuar, mas em geral as disciplinas são: algoritmos e programação, bancos de dados, biologia molecular, bioquímica, estatística, data mining, dentre outras varias possibilidades.
Nos próximos posts começarei a falar especificamente sobre algumas possíveis áreas de atuação dentro de bioinformática, a começar pela genômica.
Até a próxima !





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