sábado, 5 de março de 2016

Precisamos falar sobre bioinformática!

WAT? Biooque?  Bioinformática!

Nesse segundo post vou falar da minha área de atuação, porque (sim) muita gente não faz a menor ideia do que se trata  (Spoiler: bioinformática não é criar software antivírus).

Não, eu não trabalho no AVAST!


De uns tempos para cá, parte da mídia tem “acordado” para essa obscura área e até mesmo o “Estadão” publicou uma matéria a respeito, chamando-a de profissão do futuro: 


O Blog Universo Racionalista também publicou a respeito: http://www.universoracionalista.org/bioinformatica-filha-prodiga/ 

O problema é que esse futuro já chegou e muita gente, inclusive muitos cientistas, ainda não entendeu essa nova realidade. Já passamos da era da genômica e estamos na era pós-genômica (falarei disso em outros posts).

Encontrar uma definição clássica para o termo bioinformática já é o primeiro desafio. Para tentar simplificar vamos considerar que bioinformática é a ciência onde ferramentas computacionais são utilizadas (e desenvolvidas) para solucionar problemas biológicos.

                                                                   Sopa de letrinhas ?

Como exemplos desses problemas, podemos citar: análises de sequencias de DNA, RNA e proteína, estruturas tridimensionais de macromoléculas, interações celulares em determinado tecido ou ambiente, vias e redes metabólicas, e por aí em diante. São problemas bastante complexos e sem a ajuda de computação seriamos incapazes de resolver em tempo hábil. 

Em geral, a bioinformática lida com resultados de experimentos que são transformados em dados digitais. Um exemplo são os sequenciadores de DNA, aparelhos que descobrem a sequência em que bases nitrogenadas (lembram do A, C, G e T?) estão encadeadas para formar os genes e genomas. 

                                                                  Sequencias de DNA 


Esses aparelhos estão cada vez mais baratos, menores e mais rápidos, gerando um grande acumulo de dados a serem analisados e interpretados (por cientistas treinados). 

Sequenciador de DNA NanoPore minION: 
pouco maior que um pendrive

Um dos grandes desafios dessa área é justamente a escassez de recursos humanos. A raiz desse problema está na natureza inter e multi-disciplinar desse campo cientifico. Ao conciliar ciências exatas (matemática, estatística, engenharia, ciência da computação, física) com áreas biológicas (Biologia, Biomedicina, Farmácia, Medicina, Microbiologia, etc) estamos tentando basicamente misturar água e óleo. Simplesmente porque Biologia não é exata, não obedece a lógica binaria da computação e, portanto, é difícil para pessoas de uma área entenderem a outra e vice-versa.

Existem poucos cursos de graduação e de pós-graduação e todos eles enfrentam enormes desafios na escolha de disciplinas a serem ministradas e do melhor modelo a ser aplicado no ensino. 
Cito aqui a pós-graduação da UFMG (http://www.pgbioinfo.icb.ufmg.br/), Fiocruz (http://pgbcs.ioc.fiocruz.br/) e da UFPR (http://www.bioinfo.ufpr.br/).

Mas afinal, o que é necessário aprender para se tornar um bioinformata? Claro que isso vai depender da sub-área que você pretende atuar, mas em geral as disciplinas são: algoritmos e programação, bancos de dados, biologia molecular, bioquímica, estatística, data mining, dentre outras varias possibilidades. 



Nos próximos posts começarei a falar especificamente sobre algumas possíveis áreas de atuação dentro de bioinformática, a começar pela genômica. 

Até a próxima !




Nenhum comentário:

Postar um comentário