Obesidade e sobrepeso vem se tornando um
problema de saúde pública cada vez mais frequente em países desenvolvidos e em
desenvolvimento. Em alguns países, o problema já é tratado como epidemia. A obesidade
pode levar a doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas graves.
Muitos são os fatores que levam uma pessoa a desenvolver obesidade, sendo em
geral genética e alimentação os que sempre foram considerados os maiores vilões.
Mudanças no estilo de vida, com as pessoas se tornando muito mais sedentárias,
certamente contribuem bastante.
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| Mapa do problema global da obesidade. Fonte: http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/7151813.stm |
Recentemente, estudos de metagenomica e
microbioma tem demonstrado que possivelmente estes não são os únicos fatores.
Em um post anterior, falamos sobre como nós
somos um verdadeiro ecossistema, com milhares de espécies de microrganismos
habitando diversas partes do nosso corpo, mas principalmente, os intestinos. Como
sabemos, é nesse lugar onde acontece a maior parte da digestão e absorção de
nutrientes em nosso corpo.
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| Tubo digestivo humano. Fonte: http://calorierestrictiondietplan.com/tag/gut-microbiome/ |
Recentemente, estudos demonstraram que a composição
desses microrganismos intestinais é bastante diferente entre indivíduos magros
e obesos. Espécies e gêneros de bactérias bem diferentes estão presentes nesses
dois grupos.
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| Evolução ou involução ? Fonte:http://darwinian-medicine.com/wp-content/uploads/2013/12/Evolution-of-Obesity.jpg |
Isso levou a comunidade cientifica a ficar em
polvorosa, porém, restava uma grande dúvida: a microbiota dos obesos estava
causando a obesidade ou era causada pela obesidade?
Em ciência, quando observamos uma correlação,
devemos ser cuidadosos ao tirar conclusões. Uma associação pode não implicar relação
de causalidade, ou seja, não é porque muitos dos ratinhos obesos tinham bactérias
diferentes no seu intestino, que necessariamente essas bactérias estavam
fazendo eles ficarem obesos. Poderia ser o contrário, por serem obesos, bactérias
diferentes estariam mais felizes nos intestinos dos gordinhos.
Então, um estudo muito sagaz e elegante foi
realizado para tentar elucidar essa questão. Camundongos alimentados exatamente
igual, vivendo em situação exatamente igual, que apresentavam pesos diferentes,
foram utilizados no estudo. Os que
engordavam mais, tiveram as bactérias de seus intestinos coletadas, e
transplantadas para o intestino dos magrinhos. E para felicidade geral de
todos, os magrinhos começaram a engordar. Isso demonstrou um forte indicio de
que as bactérias sim, facilitam o ganho de peso (lembrando que os fatores dieta
e estilo de vida permaneceram inalterados durante o estudo).
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| Podem os micróbios tornarem você gordo? Fonte: http://pt.slideshare.net/soulfulpathways/feel-better-already-microbiome-health |
Este estudo abriu um amplo leque de
possibilidades e teorias, que foram sendo testadas uma a uma. A primeira hipótese
seria de que esse grupo de bactérias do grupo obeso, estaria ajudando a digerir
os alimentos, facilitando assim a absorção pelo hospedeiro (o camundongo). Com
isso, a quantidade de nutrientes absorvidas aumenta e por isso se ganha mais
peso. Isso pode ser facilmente comprovado estudando o genoma dessa comunidade
microbiana, buscando genes funcionais de enzimas digestivas, o que foi pouco a
pouco sendo comprovado. Pode-se por outro lado buscar se esses mesmo genes estão
ausentes ou pelo menos em menor abundancia nas bactérias dos magrinhos, o que
facilmente também pode ser verificado.
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| Dieta, balanco energético e microbioma intestinal. Fonte: http://images.slideplayer.com/6/1622515/slides/slide_3.jpg |
A partir daí o céu foi o limite. Outras hipóteses
surgiram, como por exemplo: estariam algumas doenças relacionadas ao microbioma?
E adivinhem? Bingo. Doenças inflamatórias, diabetes tipo 2 e muitas outras
parecem ter forte relação com o microbioma. Muitas linhas de pesquisa estão abertas
no momento, e o objetivo geral é descobrir como remediar o microbioma, com o
uso por exemplo de pró bióticos para combater obesidade e essas doenças.
Uma grande questão a ser investigada é: o que
causa essa alteração na microbiota? Seria a dieta moderna? Seriam fatores
genéticos determinantes? Ou até mesmo o uso indiscriminado de antibióticos?
No futuro, poderemos ter como rotina, além do
sequenciamento do genoma individual, também a analise de microbioma, para que
sejam realizados procedimentos médicos e nutricionais personalizados.
Grande época para estar vivo!!!
Até a próxima!!
Para quem quiser ler mais sobre o assunto, uma revisão
em inglês: http://www.medscape.com/viewarticle/714569_2
Alguns outros textos em inglês:





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