We need to talk about science
sábado, 2 de setembro de 2017
o que é ciência de dados ?
A ciência de dados, ou data science, é uma área cientifica nova que entrou em evidencia nos últimos anos. Recentemente foi classificada por diversas revistas como a carreira mais "sexy" e mais quente do século 21 e com isso muitas pessoas passaram a se dizer cientista de dados em seus curriculum e Linkedin (talvez em busca de mais matches no Tinder, quem sabe?). Mas por que todo esse frisson em torno dessa área ?
Precisamos definir o que é ciência de dados, mas não sem antes definir o que são dados.
Dados podem ser definidos como observações documentadas ou resultados de medições (http://www.ime.unicamp.br/~hildete/dados.pdf). No mundo de hoje, o fato de você andar na rua com o seu smartphone no bolso, já gera uma grande diversidade de dados. Alguns aplicativos coletam o número de passos que você deu, se você subiu uma escada ou andou de bicicleta. Outros aplicativos coletam informações até mesmo sobre sensores do seu aparelho, como o giroscópio. Sem contar geolocalização e quem sabe ate mesmo o áudio do ambiente ao seu redor.
Outro exemplo são experimentos científicos, que os resultados são nada mais do que dados. Sequenciamento de DNA, contagem de células em um meio de cultura ou imagens capturadas por um telescópio. Alem disso, ainda ha pesquisas de opinião, censo, etc. Dados, dados e mais dados.
Estima-se que de todos os dados disponíveis nos dias de hoje, 80 a 90% foram gerados nos últimos 2 anos, devido ao avanço em diversas tecnologias de coleta e armazenamento desses dados. Mas pra que serve tudo isso?
Dado em si não significa informação ou conhecimento. Para que o dado se torne informação relevante, ele precisa ser analisado, interpretado, minerado. É nesse ponto que entra o cientista de dados, utilizando ferramentas estatísticas e computacionais como data mining (mineração de dados), machine learning (aprendizado de maquina), etc.
O cientista de dados precisa fundamentalmente ter habilidades computacionais (dominar pelo menos uma linguagem de programação, de preferencia R ou Python), ter um bom conhecimento em estatística e matemática, e alem de tudo, experiência na área de conhecimento sobre o qual se tratam os dados a serem analisados. Por exemplo, um analista de dados que for trabalhar para uma operadora da bolsa de valores, precisa ter conhecimento na área do mercado de ações, para que possa interpretar facilmente os dados, identificar padrões, etc. Já o cientista de dados trabalhando para a indústria farmacêutica muito provavelmente vai precisar de conhecimentos na área de ciências biomédicas.
Por se tratar de uma área multi-disciplinar, o número de profissionais está muito aquém do número exigido pelo mercado. Isso por si eleva os salários desses profissionais. Além de tudo, uma boa análise de dados tem potencial de gerar muito dinheiro para as empresas. Gigantes como amazon.com investem pesado no setor, para desenvolver algoritmos que, por exemplo, criem sugestões de compras mais efetivas para os usuários que navegam no site. A partir de dados de compras anteriores, o algoritmo pode predizer com certo grau de certeza, qual produto você gostaria de comprar.
Empresas de cartão de crédito conseguem ate mesmo predizer se você vai pagar a sua fatura em dia, pelo tipo de produto que você comprou. Isso é para eles uma verdadeira mina de ouro.
Nas ciências biomédicas, dados genéticos de uma grande quantidade de pessoas, associados a dados sobre a saúde das pessoas, pode levar a novos insights sobre quais mutações genéticas estariam causando determinada doença ou característica (como alergia ou baixa resposta a certos medicamentos).
Porém, antes de mais nada é necessário acumular um volume de dados suficientes para "treinar" os modelos de maneira que eles possam fazer predições acuradas. É o que vem sendo feito desde a era da genômica e pós-genômica. Em paralelo, novos algoritmos computacionais estão sendo desenvolvidos para lidar com esse grande volume de dados gerados, como parte de uma ciência chamada de "Big Data".
Sem sombra de dúvidas, veremos nos próximos anos grande avanços nessa área, e provavelmente isso causará mudanças dramáticas no mundo em que vivemos.
RC
FDA aprova a primeira terapia gênica nos EUA
Esta
semana, o FDA (órgão Americano responsável pela regulamentação de todos os
tratamentos médicos nos EUA) aprovou a primeira opção de terapia genética nos
EUA, para tratamento de alguns de leucemia linfoblástica aguda (ALL).
Os jornais
do mundo foram tomados por notícias a respeito desse grande avanço, porém,
dessa vez o alarde não foi sem motivo (apesar dos tradicionais exageros).
Apesar do
preço exorbitante (cerca de meio milhão de dólares), dos possíveis efeitos
colaterais, e de ser um tratamento apenas indicado para casos em que o paciente
não responde as terapias convencionais, esta nova terapia demonstra apenas o
começo de uma nova era na medicina.
O
tratamento consiste em retirar, a partir de amostras sanguíneas, células do
próprio paciente (linfócitos T) e modifica-las geneticamente, programando-as
para reconhecer e destruir as células cancerosas, combinando assim
imuno-terapia (já muito utilizada contra diversos tipos de câncer) com terapia
gênica.
Essas novas
células reprogramadas são então chamadas de CAR-T (CAR vem de “chimeric
antigen receptors” ou
receptores de antígeno quiméricos).
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| CAR-T programada para reconhecer uma célula cancerosa |
Baseado nos
estudos clínicos feitos até o momento, as chances de sobrevida de até 6 meses
são de 89%, e de 79% de sobreviver pelo menos um ano (estudo realizado com 63
pacientes).
A primeira
coisa a ser esclarecida aqui: o critério de cura em câncer é sempre de longo
prazo. Não se pode falar em cura num prazo de um ano. Isso não significa que o
tratamento é apenas eficaz para dar alguma sobrevida, mas apenas que ainda não
observamos por tempo suficiente. A empresa farmacêutica (Novartis) que
desenvolveu o tratamento continuará os estudos clínicos para acompanhar a
evolução e também monitorar efeitos colaterais.
Até o
momento, o efeito colateral mais preocupante é a síndrome de liberação de
citocinas, que é potencialmente grave e pode ser fatal se não for tratado
rapidamente. Nesta síndrome, há
liberação massiva de mediadores químicos do sistema imune, causando uma hiper-estimulação
do mesmo. Por isso, para ministrar o tratamento, as clinicas e hospitais
precisam ser certificados pela Novartis. Alguns óbitos ocorreram em estudos de
tratamentos do mesmo tipo, conduzidos por outras empresas.
Mas então,
o que difere esse tratamento de todos os outros?
Ao contrario
de todos os tratamentos existentes até então, ele não é baseado em compostos
químicos, nem é um tratamento genérico onde exatamente as mesmas substancias
são utilizadas para todos os pacientes.
Como dito
anteriormente, nesse tratamento as células do próprio paciente são
“programadas”, através de modificação genética, para caçar e destruir as
células cancerosas. Isso é importante
principalmente pois dessa forma não há rejeição pelo paciente as suas próprias
células, e também outros tipos celulares não são afetados.
A
modificação genética consiste em inserir nos linfócitos T do paciente, genes
que codificam os tais receptores quiméricos (CAR) que reconhecem uma proteína
específica (neste caso, CD19) de superfície nos linfócitos B (que são as
células que estão se multiplicando fora de controle no caso da leucemia ALL).
Assim esses linfócitos são multiplicados no laboratório e inseridos em grande
quantidade na corrente sanguínea do paciente, e então essas novas células
passam a buscar e destruir os linfócitos B, controlando a doença e em alguns
casos podendo levar à cura.
O grande
frisson sobre tudo isso é que essa técnica pode, em teoria, ser utilizada para
tratar qualquer outro tipo de câncer. Porém, na prática, os resultados contra
tumores sólidos se mostrou decepcionante, sendo necessárias melhorias.
De toda
forma, diversos tipos de câncer de células do sangue já estão sendo “atacados”
por essa técnica. Só nos resta esperar e torcer.
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| Ilustração representando o tratamento com células CAR-T para leucemia ALL |
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
DNA: o que é e por que é tão importante?
DNA. Três letras e uma sigla cada dia mais
popular e bastante conhecida do público em geral. De programas de TV (teste de
paternidade em programas de auditório) às salas de aula, todo mundo já ouviu
falar.
Mas será que sabemos exatamente o que é o DNA??
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| Molécula de DNA. Fonte: Exame - Abril |
A sigla quer dizer ácido desoxirribonucleico (em português o correto seria ADN, mas
popularmente utilizamos a sigla em inglês). Mas isso não diz muita coisa, não é
verdade?
O DNA em si nada mais é do que uma macromolécula orgânica
e polimérica que armazena informação hereditária. Em outras palavras, um
composto químico bem longo formado por monômeros, que são compostos químicos menores,
encadeados. É justamente a ordem dos monômeros que define a informação que a
molécula carrega. Esses monômeros, ou pequenos blocos de construção do DNA,
chamados coletivamente de nucleotídeos ou bases nitrogenadas, são conhecidos
por suas siglas A (Adenina), T (Timina), C (Citosina) e G (Guanina).
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| Molécula de DNA e formação do cromossomo. Fonte: http://freepages.genealogy.rootsweb.ancestry.com/ |
Quimicamente, o DNA é uma cadeia de fosfatos e açúcares
intercalados (ligado a bases nitrogenadas). Isso mesmo, a informação genética que você carrega dos seus pais nada
mais é do que açúcares intercalados com fosfatos.
Mas o que faz dessa molécula algo tão importante?
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| Estrutura química do DNA. Fonte: http://www2.le.ac.uk |
Primeiro temos que ter uma noção de escala. Estamos
falando de moléculas realmente longas. Esses 4 monômeros se intercalam formando
longas fitas, que em humanos formam cromossomos de até 220 milhões desses monômeros.
O genoma humano completo, com todos os cromossomos, possui cerca de 3 BILHÕES
de monômeros. Dá para imaginar então a quantidade de informação que essas bases
encadeadas podem carregar? Para fins comparativos, seu computador com toda sua
complexidade funciona com informações binarias, apenas zeros (0) e uns (1)
encadeados. No DNA temos informação quaternárias (A, T, C, G). Por isso,
atualmente, existem experimentos com objetivo de armazenar informação digital
em moléculas de DNA.
Chamaremos a partir daqui cada monômero (nucleotídeo) de
“pares de bases” (bp) pois a estrutura tridimensional do DNA é sempre composto
por duas fitas complementares, interligados por pontes de nitrogênio. Cada base
se liga a uma outra base na fita complementar, sempre da seguinte forma: A se
liga apenas a T (e vice-versa) e C se liga sempre a G (e vice-versa). Portanto,
quando você se refere a uma base nitrogenada numa fita de DNA, você automaticamente
sabe a base da fita complementar, que formam um par.
Ok. DNA, polímero, açúcar, fosfato, bilhões de pares
de bases. Mas como isso tudo vira informação dentro das nossas células? Ou
melhor, como nossas células interpretam isso tudo?
Nossa célula é uma máquina orgânica, muito bem
equipada. Ela é capaz de obter do meio externo uma série de monômeros de
natureza química diversa e transformar em macromoléculas estruturais, que
formam a célula e a maquinaria em si, além de tecidos e matriz extracelular, além
de enzimas, que regulam todo o funcionamento do organismo, hormônios, etc. A
maior parte dessas moléculas são na verdade, proteínas. E proteínas são, adivinhem?
Polímeros, assim como o DNA. Porém, o “alfabeto” desses polímeros é ainda mais
diverso do que as quatro “letrinhas” do DNA, sendo composto por até 20 letras
(os monômeros aqui são aminoácidos). Alguns exemplos de proteínas importantes:
melanina (pigmento da pele, cabelo e olhos), peptidase (enzima digestiva que
faz com que a gente consiga digerir alimentos como carne, por exemplo), anticorpos
(moléculas do sistema imune que nos defendem de doenças).
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| Moléculas de proteína e seus monômeros (aminoácidos). Fonte:http://www.areaciencias.com/quimica/proteinas.html |
E o que o DNA tem a ver com isso? Bom, a ordem das
bases nitrogenadas é o que em última instancia vai determinar a ordem dos aminoácidos
nas proteínas. Ou seja, o DNA é manual de instrução que a célula usa para
produzir proteínas que vão exercer funções diversas no organismo, sejam
estruturais ou metabólicas. É exatamente essa relação que chamamos de código genético. A grosso modo, cada 3 pares de base no DNA, irão codificar um aminoácido especifico. No meio desse processo ainda temos o RNA, que atua como mensageiro do código genético e transportador dos aminoácidos a serem incorporados na proteína em formação. Essa trinca de bases nós chamamos de códons. Por exemplo: o códon formado pelas bases TCT irá codificar na proteína um aminoácido chamado serina.
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| Tabela do código genético mostrando os códons que codificam cada aminoácido. Fonte: http://protein.gsc.riken.go.jp/ |
Pequenos defeitos no DNA, ou mutações, em uma
única letrinha, podem levar a produção de proteínas defeituosas, e consequentemente
a doenças, que podem ser extremamente graves.
Dito isso, passamos a entender toda a importância das ciências
genéticas e da genômica, sobre a qual venho escrevendo no último mês.
No próximo artigo falaremos sobre como é possível “ler”
o DNA e a partir dessa leitura, inferir informações relevantes.
Spoiler: Não é possível usar um microscópio para identificar
as bases. Elas são muito pequenas (mas podemos ver os cromossomos e longas
fitas de DNA, entretanto sem conseguir identificar os monômeros que os compõem).
Precisamos ser muito mais inventivos para conseguir tal façanha.
Até a próxima.
RC
domingo, 24 de julho de 2016
Obesidade e o microbioma intestinal humano: qual a relação ?
Obesidade e sobrepeso vem se tornando um
problema de saúde pública cada vez mais frequente em países desenvolvidos e em
desenvolvimento. Em alguns países, o problema já é tratado como epidemia. A obesidade
pode levar a doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas graves.
Muitos são os fatores que levam uma pessoa a desenvolver obesidade, sendo em
geral genética e alimentação os que sempre foram considerados os maiores vilões.
Mudanças no estilo de vida, com as pessoas se tornando muito mais sedentárias,
certamente contribuem bastante.
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| Mapa do problema global da obesidade. Fonte: http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/7151813.stm |
Recentemente, estudos de metagenomica e
microbioma tem demonstrado que possivelmente estes não são os únicos fatores.
Em um post anterior, falamos sobre como nós
somos um verdadeiro ecossistema, com milhares de espécies de microrganismos
habitando diversas partes do nosso corpo, mas principalmente, os intestinos. Como
sabemos, é nesse lugar onde acontece a maior parte da digestão e absorção de
nutrientes em nosso corpo.
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| Tubo digestivo humano. Fonte: http://calorierestrictiondietplan.com/tag/gut-microbiome/ |
Recentemente, estudos demonstraram que a composição
desses microrganismos intestinais é bastante diferente entre indivíduos magros
e obesos. Espécies e gêneros de bactérias bem diferentes estão presentes nesses
dois grupos.
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| Evolução ou involução ? Fonte:http://darwinian-medicine.com/wp-content/uploads/2013/12/Evolution-of-Obesity.jpg |
Isso levou a comunidade cientifica a ficar em
polvorosa, porém, restava uma grande dúvida: a microbiota dos obesos estava
causando a obesidade ou era causada pela obesidade?
Em ciência, quando observamos uma correlação,
devemos ser cuidadosos ao tirar conclusões. Uma associação pode não implicar relação
de causalidade, ou seja, não é porque muitos dos ratinhos obesos tinham bactérias
diferentes no seu intestino, que necessariamente essas bactérias estavam
fazendo eles ficarem obesos. Poderia ser o contrário, por serem obesos, bactérias
diferentes estariam mais felizes nos intestinos dos gordinhos.
Então, um estudo muito sagaz e elegante foi
realizado para tentar elucidar essa questão. Camundongos alimentados exatamente
igual, vivendo em situação exatamente igual, que apresentavam pesos diferentes,
foram utilizados no estudo. Os que
engordavam mais, tiveram as bactérias de seus intestinos coletadas, e
transplantadas para o intestino dos magrinhos. E para felicidade geral de
todos, os magrinhos começaram a engordar. Isso demonstrou um forte indicio de
que as bactérias sim, facilitam o ganho de peso (lembrando que os fatores dieta
e estilo de vida permaneceram inalterados durante o estudo).
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| Podem os micróbios tornarem você gordo? Fonte: http://pt.slideshare.net/soulfulpathways/feel-better-already-microbiome-health |
Este estudo abriu um amplo leque de
possibilidades e teorias, que foram sendo testadas uma a uma. A primeira hipótese
seria de que esse grupo de bactérias do grupo obeso, estaria ajudando a digerir
os alimentos, facilitando assim a absorção pelo hospedeiro (o camundongo). Com
isso, a quantidade de nutrientes absorvidas aumenta e por isso se ganha mais
peso. Isso pode ser facilmente comprovado estudando o genoma dessa comunidade
microbiana, buscando genes funcionais de enzimas digestivas, o que foi pouco a
pouco sendo comprovado. Pode-se por outro lado buscar se esses mesmo genes estão
ausentes ou pelo menos em menor abundancia nas bactérias dos magrinhos, o que
facilmente também pode ser verificado.
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| Dieta, balanco energético e microbioma intestinal. Fonte: http://images.slideplayer.com/6/1622515/slides/slide_3.jpg |
A partir daí o céu foi o limite. Outras hipóteses
surgiram, como por exemplo: estariam algumas doenças relacionadas ao microbioma?
E adivinhem? Bingo. Doenças inflamatórias, diabetes tipo 2 e muitas outras
parecem ter forte relação com o microbioma. Muitas linhas de pesquisa estão abertas
no momento, e o objetivo geral é descobrir como remediar o microbioma, com o
uso por exemplo de pró bióticos para combater obesidade e essas doenças.
Uma grande questão a ser investigada é: o que
causa essa alteração na microbiota? Seria a dieta moderna? Seriam fatores
genéticos determinantes? Ou até mesmo o uso indiscriminado de antibióticos?
No futuro, poderemos ter como rotina, além do
sequenciamento do genoma individual, também a analise de microbioma, para que
sejam realizados procedimentos médicos e nutricionais personalizados.
Grande época para estar vivo!!!
Até a próxima!!
Para quem quiser ler mais sobre o assunto, uma revisão
em inglês: http://www.medscape.com/viewarticle/714569_2
Alguns outros textos em inglês:
terça-feira, 19 de julho de 2016
Um pouco mais sobre o mundo invisível dos microrganismos: metagenômica.
No post
anterior, falamos sobre o mundo invisível dos microrganismos e da importância dos
mesmos na nossa vida. Mencionamos uma técnica nova chamada de metagenômica (ou genômica
ambiental) e agora vamos tentar aprofundar um pouco mais nesse assunto.
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| Metagenomica respondendo as perguntas: Quem está aí? Fazendo o que ? Como estão fazendo? Fonte: http://www.cbs.dtu.dk/researchgroups/metagenomics/mg.jpg |
Como visto
no post anterior, apenas um pequeno percentual (de 1 a 10%) dos microrganismos
que existem por aí podem ser cultivados em laboratório. Mas em primeiro lugar,
como se cultiva microrganismo em laboratório?
Bom, esse é
um assunto da microbiologia clássica: você precisa conhecer os requisitos
básicos que esses seres precisam, como por exemplo, quais nutrientes e em quais
quantidades, qual a concentração de oxigênio (ou gás carbônico) ele precisa,
qual a temperatura na qual ele se desenvolve melhor, e por aí vai.
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| Meios de cultura sólido. Fonte: http://econolab.com.br/v2/wp-content/uploads/2013/04/meio-1024x272.jpg |
Com esse
conhecimento em mente, é possível desenvolver uma “receita” de meio de cultura
(que pode ser líquido ou sólido) e colocar esses microrganismos dentro para que
ele “cresça”, ou seja, se multiplique através de divisão celular (mitose). Um
exemplo é a bactéria intestinal E. coli,
muito estudada e conhecida, que se colocada em um meio de cultura adequado, sob
agitação e a 37 graus, consegue se dividir em 20 minutos, gerando duas células
novas, iguais a que as originou. Isso significa que mesmo que você isole uma única
célula viva de um intestino, você consegue em algumas horas obter milhões delas,
pois o crescimento é exponencial (porém não indefinidamente, pois os nutrientes
e oxigênio se esgotam no meio de cultura após algum tempo).
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| Divisao celular assexuada. Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos/Cissiparidade.php |
Mas, em
geral, microbiologia clássica conhece muito das bactérias de importância clínica
(que causam doenças em humanos ou animais), pragas agrícolas e etc. Pouco se
sabe das bactérias inofensivas (ou até mesmo benéficas) presentes nos mais
diversos ambientes do nosso planetinha azul.
Elas
simplesmente não se desenvolvem nos meios de cultura que sabemos fazer até
agora. Então essa falta de conhecimento a respeito delas, dificulta justamente
que se possa cultiva-las e estuda-las para então saber mais sobre elas,
fechando um ciclo.
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| Bactérias "não cultiváveis" - do que elas precisam? Fonte: http://jb.asm.org/content/194/16/4151/F3.large.jpg |
Então o que
poderíamos fazer para contornar isso? Aquilo que nunca fazemos com os aparelhos eletrônicos
que não sabemos utilizar: ler o manual de instruções!!
Células são
máquinas naturais, que seguem instruções codificadas (em sua maioria) em seu
DNA. Hoje temos técnicas para extração e estudo de DNA mesmo em quantidades
mínimas, então a solução é parar de tentar cultivar e apenas pegar o material
ambiental (solo, água do mar, água de algum rio, etc), e extrair e estudar
diretamente esse DNA ambiental.
A partir
daí, podemos sequenciar o DNA para analisar com técnicas de bioinformática,
onde se pode predizer a função de genes, estudar sua evolução, remontar as vias
metabólicas, etc, ou até mesmo clonar esse DNA ambiental, inserindo em bactérias
conhecidas, com a E. coli, forçando
as mesmas a sintetizar a proteína “estrangeira” recém inserida, e assim
estudarmos a sua função.
A partir do
desenvolvimento dessa técnica, um novo mundo, antes invisível se descortinou
para nós. Descobrimos que somos um ecossistema completo, com muito mais
espécies de bactérias em nosso microbioma do que o estimado anteriormente.
Descobrimos que muitos remédios naturais, extraídos de plantas por exemplo, são
na verdade produzidos por bactérias e fungos que habitam essas plantas, e
descobrimos até mesmo que o nosso microbioma intestinal pode nos tornar mais
propensos a obesidade ou diabetes. A eficiência do nosso sistema imune e consequentemente nossa saúde dependem fortemente dessa comunidade microbiana que nos habita.
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| Microbioma Humano. Fonte: http://www.fireboxmedia.com/illustration/ |
Diversas aplicações
podem surgir daí, como por exemplo, usos mais focados de pró-bióticos, no lugar
de antibióticos. Ou até mesmo “transplantes” de microbiomas.
Falaremos
mais sobre essas descobertas em um post futuro.
domingo, 10 de julho de 2016
O fascinante e invisível mundo microbiano e suas aplicações em biotecnologia.
O mundo em que vivemos é dominado pelos
microrganismos. Bactérias, fungos, protozoários. Eles estão presentes em
virtualmente todos os ambientes, inclusive os mais extremos, como em fontes
termais onde a água pode atingir temperatura perto da ebulição, ou mesmo no
fundo do mar, em extremos de pressão e ausência de nutrientes.
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| O mundo invisível das bactérias. |
Bactérias em geral são vistas pelas pessoas
como maléficas, causadoras de doenças, etc. Porém, as bactérias “do mal” são de
longe, a minoria.
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| Bactérias malvadas tramando a destruição da especie humana. Fonte: http://www.123rf.com/stock-photo/bacteria_ailment.html |
O mundo no qual vivemos, foi “engenhado”
basicamente por bactérias. Devemos o oxigênio em nossa atmosfera basicamente a algumas
espécies desses seres tão desprezados (em sua maioria, as cianobactérias). Outras
participam ainda no clico de micronutrientes como Enxofre e Nitrogênio ou degradam
matéria orgânica, fixam o gás carbônico da atmosfera e etc.
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| Cyanobacteria - Anabaena spp. Fonte:http://dkphoto.photoshelter.com |
Nos animais (inclusive o homem), elas ajudam
desde a absorção de nutrientes e até mesmo na defesa contra patógenos.
Em nosso corpo, temos provavelmente o mesmo
número de células humanas e bacterianas. São milhares de espécies que habitam
nosso corpo, desde a pele, cabelo, boca, nariz e intestino, constituindo nossa
microbiota (antigamente chamada de flora). Sem elas, não sobreviveríamos.
Essas pequenas células são verdadeiras máquinas
metabólicas, com uma diversidade de funções incrível.
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| Microbioma humano. Fonte: http://milkiseki.jp/microbioma-humano/ |
Desde milhares de anos atrás, microrganismos são
utilizados pelo homem, mesmo sem saber exatamente o que estávamos fazendo.
Leveduras são utilizadas para produção de pão e bebidas alcoólicas, assim como lactobacilos
para fermentação de leite, desde sempre, constituindo uma maneira rudimentar de
biotecnologia desde então.
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| Fermentação da cerveja: agradeça as leveduras. Fonte: http://comprarbebida.com.br/bebidas-fermentadas/ |
De lá para cá, a ciência evoluiu e passamos a
ter conhecimento mais aprofundado sobre esses seres “invisíveis”. Passamos a
conseguir cultivar espécies isoladas em laboratório, estudar sua fisiologia, bioquímica,
genética. Descobrimos que podemos controla-las e torna-as espécies de robôs,
produzindo exatamente o que desejamos, através de engenharia genética e
biologia molecular.
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| Bactéria E. coli, geneticamente modificada para produção de biodiesel. Fonte: Diesel (Marian Littlejohn/VEJA) |
Sequenciamos genomas de milhares desses organismos e com
isso entendemos melhor a função de cada gene e via metabólica.
Foram desenvolvidos microrganismos
geneticamente modificados para produção de antibióticos mais potentes, proteínas
fluorescentes para estudos de imagem celular, e até mesmo insulina, tornando
mais barato, prático e eficiente o processo e melhorando a vida de diabéticos,
que antes dependiam de insulina retirada de porcos, por muitas vezes causando até
alergias.
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| Ilustração de como foi possível inserir o gene da insulina humana no genoma de uma bactéria. Fonte: https://www.nlm.nih.gov |
A principal limitação no estudo de microrganismos é que não sabemos exatamente como cultivar a maior parte deles em laboratório.
Cada organismo tem necessidades especificas, por exemplo, de nutrientes, concentração
de oxigênio e temperatura para que cresçam e se multipliquem de maneira saudável.
Os microrganismos mais clássicos, como os chamados coliformes fecais por
exemplo, são facilmente cultiváveis, porém cerca de 90 a 99% dos organismos
ambientais simplesmente não crescem nos meios de cultura que temos disponíveis.
Com isso, fica difícil obter células suficientes para estudos in vitro e para
sequenciar genomas, por exemplo.
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| Meios de cultura para bactérias, podem ser líquidos ou sólidos (em placa). Fonte: http://phoneutria.com.br/site2/produto/meios-de-cultura |
Muitos desses organismos produzem produtos
naturais de grande interesse, como antibióticos ou compostos com atividade anticâncer
por exemplo. Outros produzem enzimas que degradam celulose e poderiam ser
utilizados para degradar melhor a cana de açúcar, aumentando a quantidade de álcool
(etanol) obtido por cada quilograma de cana.
Só que se não conseguimos cultiva-los, não conseguimos
obter seus produtos. Então para contornar isso, foi desenvolvida uma técnica chamada
de metagenomica, ou genômica ambiental (falarei mais sobre isso em um próximo
post). Com essa técnica é possível acessar o DNA da comunidade microbiana
completa de determinado ambiente, sem se preocupar em saber de qual organismo
veio cada trecho de DNA, nem isolar e cultivar nenhum deles. Busca-se genes ao invés
de organismos. Com isso, podemos através de engenharia genética e biologia
molecular, inserir esses genes ambientais em bactérias tradicionais e cultiváveis,
como os coliformes fecais, clonando e expressando esses genes para obter seus
produtos de interesse biotecnológico.
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| Metagenomica: tornou possível acessar DNA ambiental sem cultivo individual dos microrganismos. Fonte: http://assets.illumina.com/ |
Mais recentemente, com o advento da biologia
sintética, podemos simplesmente utilizar uma célula de alguma bactéria cultivável,
retirar todo o seu DNA e inserir um DNA sintético, gerado em laboratório, com
genes de interesse. Esse tipo de experimento já vem sendo desenvolvido, como o
realizado pelo Craig Venter, onde foi inserido um número mínimo de genes necessários
para a vida de um organismo, sintetizados em laboratório, numa célula de bactéria
do gênero Mycoplasma, gerando uma forma de vida artificial. Esse vídeo explica de maneira didática como isso pode ser
feito.
Explicarei melhor os avanços desse fascinante
campo num próximo post.
Até a próxima.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Medicina Personalizada na era pós-genomica
No último post, falamos sobre genômica
e como é importante avançar para a genômica individual e personalizada.
Mencionamos sobre as possibilidades de se aplicar os conhecimentos de genômica à
medicina personalizada, e nesse post iremos falar um pouco mais a fundo a
respeito desse futuro que já bate a nossa porta.
Fonte:http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-28/a-corrida-pela-medicina-personalizada.html
Muitas pessoas já sofreram ou
presenciaram algum amigo ou parente ter problemas com certas medicações, as
vezes até as mais comuns, como Aspirina. Em alguns casos, são efeitos adversos
leves, mas em outros, reações alérgicas graves. Também é possível que não ocorra
nenhuma reação adversa, porém o tratamento que funciona tão bem para muitas
pessoas, simplesmente não surte efeito para outras. Por que, mesmo após tantos
estudos clínicos e pré-clínicos, com animais e humanos voluntários, isso ocorre? Bom, é exatamente esta pergunta que os dados genômicos
em larga escala, de muitos indivíduos de cada população, podem vir a responder.
Fonte: https://stevebetz.files.wordpress.com/2012/02/img3.jpg
Falamos no post anterior sobre os polimorfismos
(ou, em linguagem mais simples, variações genéticas) de base única (SNPs) e de
como eles nos definem como indivíduos. Essas não são as únicas variações existentes
entre os genomas individuais, existem algumas outras, as vezes mais drásticas,
como variações em número de copias de cromossomos, como as trissomias, por
exemplo, do cromossomo 21 (muito conhecida como síndrome de Down).
Existem também as aberrações cromossômicas estruturais, onde não se altera o número de copias de determinado cromossomo, porem algum cromossomo se apresenta bastante alterado (como a síndrome do miado do gato), em que falta um fragmento do braço curto do cromossomo 5). Essas alterações geralmente são extensas e causam doenças já bem conhecidas, e o seu diagnóstico não depende do sequenciamento de genomas completos do paciente, pois essas alterações podem ser verificadas até mesmo pelo microscópio (com técnicas de cariotipagem).
Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/286871/
Existem também as aberrações cromossômicas estruturais, onde não se altera o número de copias de determinado cromossomo, porem algum cromossomo se apresenta bastante alterado (como a síndrome do miado do gato), em que falta um fragmento do braço curto do cromossomo 5). Essas alterações geralmente são extensas e causam doenças já bem conhecidas, e o seu diagnóstico não depende do sequenciamento de genomas completos do paciente, pois essas alterações podem ser verificadas até mesmo pelo microscópio (com técnicas de cariotipagem).
Porém, as diferenças mais sutis,
entre indivíduos considerados “normais”, são muito mais numerosas e difíceis de
se detectar. Em muitos casos o polimorfismo do DNA vem sendo detectados com
técnicas de laboratório trabalhosas, com enzimas de restrição (que picotam o
DNA apenas onde se deseja) e posterior analise. O problema com essas técnicas além
do custo e do tempo necessário, é que elas só podem ser aplicadas em trechos já
conhecidos do genoma, onde se sabe que pode haver polimorfismo entre indivíduos.
Isso limita estudos de alta vazão, com grandes populações, restando a genômica resolver
esse impasse.
Falamos também no post anterior, a
respeito de um projeto chamado 1000 genomes, que se encontra em estágio bem avançado.
Hoje, projetos muito mais ambiciosos
encontram-se em andamento, como o projeto 100.000 (isso mesmo, cem mil)
genomes. Esse projeto tem como meta sequenciar, obviamente, 100 mil genomas de
70 mil pacientes ingleses com doenças genéticas graves ou câncer. São pacientes
do sistema nacional de saúde britânico, e que, portanto, apresentam todo o histórico
médico disponível para os pesquisadores. No site do projeto, é possível ver mais informações e um vídeo, em inglês, mostra uma introdução ao
projeto.
Mas o que vai ser feito com essa “tonelada”
de informação obtida? Bom, o primeiro passo é cruzar informações do histórico médico
com informações genômicas de cada paciente, e comparar com cada outro paciente
do estudo. Parece simples, porém estamos falando de centenas de milhares de
pacientes, com bilhões de pares de bases sequenciadas para cada um deles, e
mais “trocentas” informações medicas relevantes, como por exemplo, alergia a
aspirina, ou câncer em fase terminal. Cruzar esses dados requer, primeiro um
poder computacional (super computadores), depois algoritmos e programas
eficientes e finalmente cientistas e médicos qualificados para interpretar
esses resultados (que é no fim das contas a parte mais difícil). Mas e na
pratica, o que podemos obter?
Vamos imaginar uma situação hipotética, bastante simplificada. Dentro do grupo de pacientes, 18 mil deles apresentam no histórico médico, altas taxas de colesterol e risco cardíaco elevado. Desses 18 mil, cerca de 90% possuem mutações de base única (SNP) em 10 genes. No outro grupo de pacientes, que não apresentam problemas de colesterol alto nem risco cardíaco, apenas 15% apresentam as mesmas mutações. O que isso nos tem a dizer? Bom, muitas técnicas estatísticas precisam ser aplicadas para se ter maior confiança nas conclusões, mas a grosso modo, isso é um forte indicio de que essas mutações nesses genes favorecem problemas de colesterol e cardíacos. Em muitos dos casos, alguns desses 10 genes terão funções conhecidas, então um pesquisador, ao olhar para esses genes, poderá formular hipóteses ou rejeita-las. Se esses genes são genes já conhecidos por sua função metabólica relacionada a colesterol, fica mais fácil ainda aceitar a hipótese. Porém, desses 10 genes, alguns podem ter inclusive função desconhecida, tornando-se alvos imediatos para mais estudos.
Esse cenário pode ser estendido para
qualquer informação medica relevante relatada, desde alergias, intolerâncias alimentares,
predisposição a certas doenças (como herpes labial ou bronquites), doenças
autoimunes, diversos tipos de câncer, e etc.
Após essas extensivas analises,
teremos em mãos ferramentas poderosas e poderá se tornar praxe, seu médico
pedir seu genoma completo e com o resultado em mãos, adequar tratamentos (por
exemplo, evitar medicações que possam potencialmente causar alergia ou resistência)
ou mesmo prevenir doenças futuras.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWjdOYicvOwWk1gzehd8tpspWfFxU-VS3tLeccE8T1p69giLfewJRzx6zcctBSdYeTd8WCgkm7r7vMHcME4_XyMDv3jPg6e18vibnCPPmw1I45OMZcMmutMLIx5BWJfPAgugx9N_KC7A/s1600/pharma-diseases.gif
Esse tipo de informação, porém,
precisa ser mantida em sigilo e trará dilemas éticos, como por exemplo, seguros
de saúde poderiam cobrar preços diferenciados de acordo com o genoma da pessoa.
Mas esse é assunto para um outro post!
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