Continuando nossa conversa sobre genômica, ficam as perguntas: como fazer efetivamente os projetos genoma impactarem a vida das pessoas ? Qual o sentido de gastar tanto dinheiro, tempo e esforço?
Todos sabemos que o genoma é uma especie de manual de instruções da vida. Nele estão "todas" as informações que nos levam a ser o que somos (reparem nas aspas, pois existem fatores epigenéticos envolvidos e também somos bastante influenciados pelo ambiente que nos rodeia).
Nosso genoma nos define como espécie (humanos) porém também como indivíduos. Os projetos genomas iniciais foram feitos ou com base no genoma de uma única pessoa (no projeto privado, da Celera, foi sequenciado o genoma do Craig Venter) ou de um monte de indivíduos anônimos (no projeto público, foi coletado material biológico de várias pessoas, porém ninguém sabe de quais pessoas foi sequenciado, por questões éticas). Isso nos forneceu diversas informações preciosas a respeito do que nos define como espécie, e também o quanto somos parecidos com outros primatas e mesmo com outros mamíferos.
Genomas de eucariotos: em regiões codificantes, somos 99% iguais ao Chipanzé, mas aquele 1% ...
Fonte: http://docplayer.com.br/5877484-Evolucao-de-genes-e-genomas.html
Saber o que é igual ou similar é importante, mas não mais do que saber as diferenças. E digo não apenas entre nossa espécie e as outras, mas principalmente entre os indivíduos da nossa espécie. As diferenças entre pessoas podem ser pequenas frente ao tamanho total do genoma da espécie, mas nos fazem totalmente diferentes. Onde está o pulo do gato?? Está, por exemplo, nos polimorfismos, principalmente os de base única (da sigla em inglês, SNPs).
Esse nome difícil é apenas para fazer parecer que somos inteligentes um apelido para mutações ou diferenças pontuais (muitas vezes de uma única base ou "letrinha") e que mudam a função do gene completamente. Assim nasceram os X-MAN.
Polimorfismos de base única, conhecidos pela sigla em Inglês SNP.
Fonte: https://www.emaze.com/@AORTFFOQ/SEQUENCE-HOMOLOGY-AND-SNP-DETECTION-IN-ABIOTIC-STRESS.pptx
Com os primeiros rascunhos de genoma não era possível descobrir essas diferenças pontuais entre indivíduos, porém com o avanço da tecnologia, o custo de sequenciar um genoma individual diminuiu da ordem de bilhões de dólares para milhares, e estamos caminhando para um cenário onde com apenas centenas de dólares será possível obter um genoma de boa qualidade para um indivíduo.
O projeto "1000 genomes" deu um passo importante nesse sentido, iniciando um estudo em escala populacional que se propôs a sequenciar e analisar 1000 genomas humanos, como o nome sugere, mas que já passou da casa dos 2 milhares.
Mapa do projeto "1000 genomes", mostrando a origem dos indivíduos que forneceram material para o estudo
Com esses estudos, podemos descobrir por exemplo, mutações pontuais que possam explicar porque determinada população é mais propensa a desenvolver certas doenças, como por exemplo, diversos tipos de câncer ou doenças auto-imunes. Isso nos fornece informação vital da origem genética dessas desordens, assim como possíveis alvos terapêuticos.
Com o passar do tempo e com o acúmulo de dados de numa escala maior, na ordem de milhões de pessoas, o grande desafio se tornará computacional. Comparar o genoma completo de indivíduos se tornará rotina e uma nova medicina surgirá, com nome de Medicina Personalizada. Será mais fácil saber quais medicamentos cada individuo pode utilizar, e quais ele não deve. O mesmo vale para a nutrição. Cada individuo tem seu metabolismo peculiar, não ha razão para acreditar que o mesmo tipo de alimento e de remédio beneficiaria todos os indivíduos da mesma forma.
A pergunta é: em quanto tempo isso se tornará realidade? Isso será acessível para todos os "mortais"? Quem viver, verá !
Até a próxima !














